Poucos, à primeira vista, parecem dispostos a trilhar o caminho exigente descrito por São João da Cruz; mas, com a graça de Deus, esses poucos podem tornar-se muitos. Pois a “noite” — essa purificação profunda e dolorosa da alma — não é um privilégio inacessível, mas um caminho aberto àqueles que, sustentados pela graça, aceitam desapegar-se de si mesmos e avançar no amor. Deus não apenas chama, mas concede também os meios: a fé perseverante, a vida de oração e a docilidade interior que permitem atravessar a obscuridade sem desfalecer.
Inspirador de grandes almas como Santa Teresa de Jesus, Columba Marmion e Reginald Garrigou-Lagrange, São João da Cruz mostra que esse caminho, embora elevado, não está fechado aos que desejam sinceramente amar a Deus. Se a noite parece árdua, é porque prepara uma união incomparavelmente mais alta; e se poucos a abraçam, é menos por falta de acesso do que por falta de disposição. Onde há correspondência à graça, o amor cresce, purifica-se e conduz a alma a uma plenitude que ultrapassa toda medida humana.
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